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Ricardo Santana | Neuropsicólogo | TDAH | Maceió/AL (82)99988.3001

A participação da família no processo neuropsicoterápico de pacientes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)

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  A participação da família no processo neuropsicoterápico de pacientes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um dos pilares fundamentais para a eficácia do tratamento, sobretudo quando se considera a natureza crônica, multifatorial e desenvolvimental do transtorno. O TDAH não se restringe a um conjunto de sintomas isolados — desatenção, hiperatividade e impulsividade —, mas envolve alterações em funções executivas, autorregulação emocional, motivação e adaptação social, o que implica que o ambiente familiar exerce influência direta tanto na expressão quanto na modulação desses sintomas. Nesse sentido, a família deixa de ser apenas coadjuvante e passa a ocupar uma posição ativa e estruturante no processo terapêutico. Inicialmente, é fundamental que a família compreenda o TDAH sob uma perspectiva neurobiológica e não moral. A interpretação equivocada dos sintomas como “falta de esforço”, “preguiça” ou “desobediência” tende a gerar respostas punitivas e crític...

Como se dá o tratamento neuropsicológico de paciente com TDAH

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O tratamento neuropsicológico do paciente com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) constitui um processo clínico estruturado, sistemático e individualizado, voltado à reabilitação e ao fortalecimento das funções cognitivas comprometidas, especialmente as funções executivas, a atenção sustentada, a memória de trabalho, o controle inibitório, a flexibilidade cognitiva, o planejamento e a autorregulação emocional e comportamental. Trata-se de uma intervenção que ultrapassa a mera redução sintomatológica, buscando promover ganhos funcionais na vida acadêmica, profissional, social e afetiva do indivíduo. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões persistentes de desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade, com importante repercussão sobre o funcionamento cotidiano. Sob a perspectiva neuropsicológica, observa-se que tais manifestações estão intimamente relacionadas a alterações no funcionamento dos circuitos frontoestriatais, sobretudo nas ...

#política #pt #homossexualidade

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​ A homossexualidade deixou de ser considerada doença mental pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em   17 de maio de 1990 , quando foi removida da Classificação Internacional de Doenças (CID). Antes disso, a Associação Americana de Psiquiatria já havia retirado o termo de seu manual de transtornos mentais em 1973. [1, 2, 3, 4]   Principais marcos da despatologização 1973:  A Associação Americana de Psiquiatria (APA) removeu a homossexualidade do seu  Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-II) . 1985:  No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) deixou de considerar a homossexualidade um desvio sexual. 17 de maio de 1990:  A Assembleia-geral da OMS retirou a homossexualidade da CID, oficializando que ela não é doença. Esta data é celebrada como o  Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia . [5, 6, 7, 8, 9]  Por que deixou de ser considerada doença? A mudança ocorreu devido à falta de comprovação cient...

TSU - Terapia de Sessão Único

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​ A Terapia de Sessão Única (TSU), originalmente sistematizada por autores como Moshe Talmon, caracteriza-se como uma modalidade de intervenção psicológica estruturada para que cada encontro seja potencialmente completo em si mesmo, com foco pragmático na demanda imediata do paciente, mobilização de recursos pessoais e definição de estratégias concretas de enfrentamento. Diferentemente de uma psicoterapia tradicional abreviada, a TSU parte do pressuposto de que uma única sessão pode produzir mudanças significativas ao promover insight, reorganização cognitiva e aumento da autoeficácia, utilizando técnicas como escuta ativa, definição de objetivos claros e devolutivas focadas em soluções . Entre suas principais vantagens destacam-se a rapidez, baixo custo, alta acessibilidade, redução de evasão e possibilidade de aplicação em larga escala, especialmente em contextos de saúde pública. Nesse sentido, a TSU alinha-se diretamente as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, que enfatiz...

TSU - Terapia de Sessão Única #tsu

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A Terapia de Sessão Única (TSU) configura-se como um modelo contemporâneo de intervenção psicológica breve, fundamentado na premissa de que cada encontro terapêutico deve ser conduzido como potencialmente suficiente para promover mudanças significativas no funcionamento do paciente. Diferentemente das abordagens psicoterapêuticas tradicionais, que pressupõem um processo contínuo ao longo de múltiplas sessões, a TSU reorganiza o enquadre clínico ao propor que o primeiro contato já constitua, em si, uma intervenção completa, estruturada para maximizar seu valor terapêutico (SANTANA, 2026; Talmon, 1990). No contexto brasileiro, essa concepção é aprofundada por Ricardo Santana, ao destacar que a TSU não se limita a uma adaptação pragmática da psicoterapia breve, mas representa uma reorganização integral do processo clínico. Segundo o autor, avaliação, formulação de caso e intervenção deixam de ser etapas distribuídas ao longo do tempo e passam a ocorrer de forma integrada dentro de um ún...

Melatonina

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​ A melatonina é um hormônio produzido principalmente pela glândula pineal, cuja secreção segue um ritmo circadiano regulado pela alternância claro–escuro, desempenhando papel central na indução e manutenção do sono ao longo de todo o ciclo vital.  Na infância, sua produção é elevada e contribui para a organização dos padrões de sono, embora intervenções exógenas devam ser cautelosas, sobretudo em casos como Transtorno do Espectro Autista ou Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, onde pode haver benefício clínico sob supervisão.  Na adolescência, observa-se um atraso fisiológico na liberação de melatonina, associado à tendência ao cronotipo vespertino e à privação de sono.  Na vida adulta, sua produção tende a se estabilizar, sendo influenciada por fatores ambientais, como exposição à luz artificial e uso de dispositivos eletrônicos, o que pode comprometer a qualidade do sono e favorecer quadros como insônia.  Já na velhice, há um declínio significativo na ...

O cérebro, suas áreas e respectivas funções estão profundamente interligadas

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​ O cérebro, suas áreas e respectivas funções estão profundamente interligadas — constitui um dos pilares da compreensão contemporânea em Neurociência e Neuropsicologia. Longe de uma visão localizacionista rígida, na qual funções mentais seriam atribuídas a regiões isoladas, o conhecimento atual aponta para um funcionamento cerebral baseado em redes dinâmicas, integradas e distribuídas, sustentadas por princípios como a Neuroplasticidade e a conectividade funcional. Historicamente, estudos clássicos como os de Paul Broca e Carl Wernicke contribuíram para a identificação de áreas específicas relacionadas à linguagem. No entanto, tais descobertas, embora fundamentais, foram posteriormente ampliadas por modelos mais complexos que evidenciam que funções como linguagem, memória, atenção e emoção dependem da interação entre múltiplos sistemas neurais. Por exemplo, a produção da linguagem não depende exclusivamente da chamada “área de Broca”, mas de circuitos que envolvem regiões frontais, te...