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TSU - Terapia de Sessão Único

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​ A Terapia de Sessão Única (TSU), originalmente sistematizada por autores como Moshe Talmon, caracteriza-se como uma modalidade de intervenção psicológica estruturada para que cada encontro seja potencialmente completo em si mesmo, com foco pragmático na demanda imediata do paciente, mobilização de recursos pessoais e definição de estratégias concretas de enfrentamento. Diferentemente de uma psicoterapia tradicional abreviada, a TSU parte do pressuposto de que uma única sessão pode produzir mudanças significativas ao promover insight, reorganização cognitiva e aumento da autoeficácia, utilizando técnicas como escuta ativa, definição de objetivos claros e devolutivas focadas em soluções . Entre suas principais vantagens destacam-se a rapidez, baixo custo, alta acessibilidade, redução de evasão e possibilidade de aplicação em larga escala, especialmente em contextos de saúde pública. Nesse sentido, a TSU alinha-se diretamente as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, que enfatiz...

TSU - Terapia de Sessão Única #tsu

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A Terapia de Sessão Única (TSU) configura-se como um modelo contemporâneo de intervenção psicológica breve, fundamentado na premissa de que cada encontro terapêutico deve ser conduzido como potencialmente suficiente para promover mudanças significativas no funcionamento do paciente. Diferentemente das abordagens psicoterapêuticas tradicionais, que pressupõem um processo contínuo ao longo de múltiplas sessões, a TSU reorganiza o enquadre clínico ao propor que o primeiro contato já constitua, em si, uma intervenção completa, estruturada para maximizar seu valor terapêutico (SANTANA, 2026; Talmon, 1990). No contexto brasileiro, essa concepção é aprofundada por Ricardo Santana, ao destacar que a TSU não se limita a uma adaptação pragmática da psicoterapia breve, mas representa uma reorganização integral do processo clínico. Segundo o autor, avaliação, formulação de caso e intervenção deixam de ser etapas distribuídas ao longo do tempo e passam a ocorrer de forma integrada dentro de um ún...

Melatonina

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​ A melatonina é um hormônio produzido principalmente pela glândula pineal, cuja secreção segue um ritmo circadiano regulado pela alternância claro–escuro, desempenhando papel central na indução e manutenção do sono ao longo de todo o ciclo vital.  Na infância, sua produção é elevada e contribui para a organização dos padrões de sono, embora intervenções exógenas devam ser cautelosas, sobretudo em casos como Transtorno do Espectro Autista ou Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, onde pode haver benefício clínico sob supervisão.  Na adolescência, observa-se um atraso fisiológico na liberação de melatonina, associado à tendência ao cronotipo vespertino e à privação de sono.  Na vida adulta, sua produção tende a se estabilizar, sendo influenciada por fatores ambientais, como exposição à luz artificial e uso de dispositivos eletrônicos, o que pode comprometer a qualidade do sono e favorecer quadros como insônia.  Já na velhice, há um declínio significativo na ...

O cérebro, suas áreas e respectivas funções estão profundamente interligadas

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​ O cérebro, suas áreas e respectivas funções estão profundamente interligadas — constitui um dos pilares da compreensão contemporânea em Neurociência e Neuropsicologia. Longe de uma visão localizacionista rígida, na qual funções mentais seriam atribuídas a regiões isoladas, o conhecimento atual aponta para um funcionamento cerebral baseado em redes dinâmicas, integradas e distribuídas, sustentadas por princípios como a Neuroplasticidade e a conectividade funcional. Historicamente, estudos clássicos como os de Paul Broca e Carl Wernicke contribuíram para a identificação de áreas específicas relacionadas à linguagem. No entanto, tais descobertas, embora fundamentais, foram posteriormente ampliadas por modelos mais complexos que evidenciam que funções como linguagem, memória, atenção e emoção dependem da interação entre múltiplos sistemas neurais. Por exemplo, a produção da linguagem não depende exclusivamente da chamada “área de Broca”, mas de circuitos que envolvem regiões frontais, te...

A relação bidirecional entre o sono e a saúde física e mental

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Existe uma relação bidirecional entre o sono e a saúde física e mental. As setas, na imagem que ilustra este texto,  indicam um circuito de influência mútua: o sono impacta diretamente a saúde física e mental, ao mesmo tempo em que o estado da saúde física e mental influencia a qualidade e a quantidade do sono. Trata-se, portanto, de um modelo circular e dinâmico, que expressa um dos pilares mais relevantes da regulação biopsicológica do organismo humano. O sono é um processo fisiológico essencial, regulado por mecanismos neurobiológicos complexos que envolvem estruturas como o hipotálamo, o tronco encefálico e o sistema reticular ativador ascendente. Do ponto de vista funcional, o sono exerce papel fundamental na homeostase corporal, na consolidação da memória, na regulação emocional e na restauração metabólica. Estudos em neurociência demonstram que, durante o sono, especialmente nas fases de sono de ondas lentas e sono REM, ocorrem processos de reorganização sináptica e consolid...

OMS sobre intervenções breves de 5 a 30 minutos

​ A discussão sobre a necessidade de produzir efeitos clínicos já no primeiro contato com o paciente encontra respaldo consistente nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde, ainda que não seja formulada de maneira literal ou simplificada como frequentemente circula em redes sociais. De fato, a OMS não afirma explicitamente que “a maioria dos pacientes comparece apenas à primeira consulta”; contudo, suas recomendações técnicas e operacionais são estruturadas a partir do reconhecimento de um problema amplamente documentado na literatura em saúde pública: a baixa adesão, a alta taxa de abandono precoce e o chamado “treatment gap” em saúde mental, isto é, a discrepância entre a necessidade de cuidado e o acesso efetivo a tratamentos contínuos e adequados. A OMS e outros órgãos têm apontado: aumento de transtornos de ansiedade e depressão, especialmente após a pandemia; maior exposição a estressores crônicos (instabilidade econômica, hiperconectividade, sobrecarga informacional); cre...

Altas habilidades/superdotação e dupla excepcionalidade

​ As altas habilidades/superdotação referem-se a um funcionamento cognitivo significativamente acima da média, geralmente acompanhado por elevada criatividade, intensa curiosidade intelectual e grande envolvimento com tarefas de interesse, conforme modelos teóricos como o de Joseph Renzulli, que enfatiza a interação entre habilidade acima da média, criatividade e comprometimento com a tarefa. Entretanto, nem todos os indivíduos superdotados apresentam desempenho homogêneo, surgindo o conceito de dupla excepcionalidade, que descreve aqueles que, simultaneamente às altas habilidades, apresentam algum transtorno do neurodesenvolvimento ou condição clínica, como TDAH, Transtorno do Espectro Autista ou Dislexia. Nesses casos, há um perfil assimétrico de funcionamento, em que potenciais elevados coexistem com dificuldades específicas, o que frequentemente leva à subidentificação ou interpretações equivocadas no contexto educacional e clínico. Assim, a avaliação neuropsicológica e educacional...