TSU - Terapia de Sessão Única #tsu


A Terapia de Sessão Única (TSU) configura-se como um modelo contemporâneo de intervenção psicológica breve, fundamentado na premissa de que cada encontro terapêutico deve ser conduzido como potencialmente suficiente para promover mudanças significativas no funcionamento do paciente. Diferentemente das abordagens psicoterapêuticas tradicionais, que pressupõem um processo contínuo ao longo de múltiplas sessões, a TSU reorganiza o enquadre clínico ao propor que o primeiro contato já constitua, em si, uma intervenção completa, estruturada para maximizar seu valor terapêutico (SANTANA, 2026; Talmon, 1990).

No contexto brasileiro, essa concepção é aprofundada por Ricardo Santana, ao destacar que a TSU não se limita a uma adaptação pragmática da psicoterapia breve, mas representa uma reorganização integral do processo clínico. Segundo o autor, avaliação, formulação de caso e intervenção deixam de ser etapas distribuídas ao longo do tempo e passam a ocorrer de forma integrada dentro de um único encontro terapêutico. Essa perspectiva implica uma mudança paradigmática importante, deslocando o foco da duração do tratamento para a efetividade da intervenção no aqui e agora (SANTANA, 2026).

Um dos princípios centrais do modelo é a compreensão de que muitos pacientes buscam atendimento em momentos específicos de crise, dúvida ou dificuldade situacional, nos quais necessitam prioritariamente de clarificação, orientação e reorganização de perspectivas, mais do que de um processo terapêutico prolongado. Nesses casos, a TSU mostra-se particularmente adequada, pois permite identificar rapidamente a demanda central e atuar diretamente sobre ela, evitando dispersões em múltiplas questões secundárias (SANTANA, 2026; Hoyt & Talmon, 2014).

Do ponto de vista técnico, a estrutura da sessão única segue uma sequência clínica relativamente consistente. Inicialmente, realiza-se uma abertura acolhedora, com estabelecimento de vínculo e explicitação do caráter focal da intervenção. Em seguida, procede-se à identificação da demanda principal, etapa considerada fundamental para delimitar o foco do trabalho. A partir disso, terapeuta e paciente constroem conjuntamente um objetivo claro e alcançável para aquela sessão, transformando queixas difusas em metas específicas e operacionais (SANTANA, 2026).

A exploração do problema ocorre de forma breve e direcionada, priorizando o funcionamento atual da dificuldade apresentada, em detrimento de uma anamnese extensa. Nesse processo, ganha destaque a identificação de exceções ao problema — momentos em que a dificuldade esteve ausente ou menos intensa — permitindo a identificação de recursos já existentes no repertório do paciente. Tal estratégia contribui para o fortalecimento da autoeficácia e para a construção de intervenções mais alinhadas à realidade do indivíduo (SANTANA, 2026; Wampold & Imel, 2015).

A formulação colaborativa do problema constitui outro elemento essencial da TSU. Ao sintetizar, junto ao paciente, os aspectos centrais da queixa, o terapeuta favorece a reorganização cognitiva da experiência, possibilitando a identificação de padrões antes não percebidos. Essa síntese funciona como ponte para a intervenção propriamente dita, que pode assumir diferentes formas, incluindo psicoeducação, reestruturação cognitiva, resolução de problemas e planejamento comportamental (SANTANA, 2026; Hoyt, Bobele & Slive, 2018).

Importante destacar que o objetivo da TSU não é necessariamente resolver completamente o problema apresentado, mas produzir um insight significativo e/ou delinear estratégias práticas que possam ser aplicadas no cotidiano do paciente. Nesse sentido, o encerramento da sessão inclui a construção de um plano de ação concreto, etapa fundamental para aumentar a probabilidade de generalização dos ganhos terapêuticos para além do setting clínico (SANTANA, 2026).

Assim, a contribuição teórica proposta por Santana (s.d.) fortalece a TSU como modelo clínico estruturado, tecnicamente consistente e alinhado às demandas contemporâneas por intervenções breves, eficazes e baseadas em evidências. Ao integrar clareza conceitual, organização metodológica e aplicabilidade prática, o autor consolida uma leitura nacional da Terapia de Sessão Única, ampliando seu potencial de utilização em diferentes contextos clínicos, educacionais e comunitários.

Referências bibliográficas 

SANTANA, Ricardo. (2026). TSU – Terapia de Sessão Única. Maceió: Clube de Autores.

Talmon, M. (1990). Single-Session Therapy: Maximizing the Effect of the First (and Often Only) Therapeutic Encounter. Jossey-Bass.

Hoyt, M. F.; Talmon, M. (2014). Capturing the Moment: Single Session Therapy and Walk-In Services. Crown House Publishing.

Hoyt, M. F.; Bobele, M.; Slive, A. (2018). Single-Session Therapy by Walk-In or Appointment. Routledge.

Wampold, B. E.; Imel, Z. E. (2015). The Great Psychotherapy Debate. Routledge.

Ricardo Santana, Neuropsicólogo, CRP15 0180, (82)99988-3001, Maceió/AL 

#TSU 

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