A Síndrome de Asperger e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) Nível 1

 


A Síndrome de Asperger e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) Nível 1 referem-se a condições relacionadas ao espectro autista, com semelhanças importantes, mas também diferenças relevantes. A Síndrome de Asperger, descrita pelo pediatra austríaco Hans Asperger em 1944, foi por muito tempo considerada um diagnóstico distinto dentro do espectro autista. Ela caracteriza-se por dificuldades marcantes na interação social, comportamentos restritivos e repetitivos, além de interesses intensos em temas específicos. Contudo, diferentemente de outras formas de autismo, não há comprometimento significativo no desenvolvimento da linguagem ou no desempenho intelectual geral (Attwood, 2008).


Por outro lado, o TEA Nível 1, conforme descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5, corresponde a uma reformulação diagnóstica que unificou diferentes condições antes categorizadas separadamente, incluindo a Síndrome de Asperger. Indivíduos com TEA Nível 1 apresentam dificuldades na comunicação social e padrões comportamentais restritos, mas necessitam de pouco suporte para lidar com essas questões. Esse nível descreve casos em que a linguagem e as habilidades cognitivas gerais estão preservadas, embora as dificuldades sociais e os comportamentos específicos causem impacto funcional (American Psychiatric Association, 2014).


As semelhanças entre as duas condições estão nas características centrais: dificuldades na interação social, interesses restritos e padrões de comportamento repetitivo. Além disso, ambas costumam envolver hipersensibilidade sensorial e um foco intenso em detalhes. De fato, a Síndrome de Asperger é amplamente considerada equivalente ao TEA Nível 1, especialmente em contextos clínicos onde as habilidades verbais e cognitivas não são prejudicadas.


A principal diferença está na abordagem diagnóstica. Enquanto a Síndrome de Asperger foi incluída no DSM-IV como um diagnóstico separado, no DSM-5 ela foi incorporada ao espectro autista, refletindo uma visão mais ampla e dimensional da condição. Essa mudança buscou evitar a fragmentação do diagnóstico e reconhecer que todos os indivíduos no espectro compartilham características nucleares, variando apenas na gravidade e nas necessidades de suporte (Rios e Cardoso, 2015).


Ainda assim, o termo “Síndrome de Asperger” permanece em uso por algumas comunidades e indivíduos diagnosticados anteriormente, devido à identificação pessoal e ao reconhecimento da especificidade do termo. Em síntese, tanto a Síndrome de Asperger quanto o TEA Nível 1 descrevem manifestações mais sutis do autismo, destacando a importância de uma abordagem individualizada no diagnóstico e no suporte a essas pessoas.


Referências


American Psychiatric Association. (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. Porto Alegre: Artmed.


Attwood, T. (2008). Síndrome de Asperger: Um guia completo para pais, professores e profissionais. São Paulo: M.Books.


Rios, C. F., & Cardoso, C. (2015). Transtorno do Espectro Autista no DSM-5: implicações clínicas e desafios diagnósticos. Revista Brasileira de Psiquiatria, 37(4), 285-289.


Ricardo Santana, Neuropsicólogo, CRP15 0180 (82)99988.3001, Maceió/AL

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