Os desafios de alunos com TDAH, TOD, dificuldades de aprendizagem e atraso mental no desempenho escolar
O desempenho escolar de crianças e adolescentes com transtornos neuropsiquiátricos e dificuldades cognitivas representa um tema de destaque nas áreas de psicologia, neuropsicologia e educação. Entre os transtornos mais frequentemente associados a dificuldades escolares estão o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD), as dificuldades específicas de aprendizagem, como a dislexia e a discalculia, e os quadros de deficiência intelectual (ou atraso mental). Esses diagnósticos, frequentemente sobrepostos, influenciam de maneira significativa as capacidades cognitivas, emocionais e sociais dos estudantes, impactando diretamente o desempenho acadêmico.
TDAH e seu impacto no aprendizado
O TDAH é caracterizado por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, que variam em intensidade de acordo com o subgrupo diagnóstico predominante (APA, 2014). Crianças com TDAH frequentemente apresentam dificuldades para se concentrar em atividades que demandam atenção sustentada, organização de tarefas e regulação comportamental. Estudos sugerem que cerca de 5% das crianças em idade escolar apresentam TDAH, com impacto significativo no aprendizado e nas interações sociais (Barkley, 2021).
No contexto escolar, alunos com TDAH enfrentam desafios como completar tarefas dentro dos prazos, seguir instruções sequenciais e gerenciar o tempo de forma eficaz. Esses fatores resultam em um desempenho acadêmico abaixo do esperado para a idade e o nível intelectual, apesar de essas crianças, muitas vezes, possuírem habilidades cognitivas adequadas (Biederman et al., 2012). A abordagem de ensino para esses alunos requer adaptações pedagógicas, incluindo tarefas mais curtas e feedbacks frequentes, a fim de manter o engajamento e reduzir a frustração.
TOD e os conflitos no ambiente escolar
O Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) é caracterizado por um padrão persistente de comportamento opositor e desafiador, frequentemente direcionado a figuras de autoridade (APA, 2014). No ambiente escolar, alunos com TOD podem demonstrar resistência às regras, dificuldade em aceitar limites e conflitos frequentes com professores e colegas. Esse comportamento não apenas dificulta o aprendizado individual, mas também pode comprometer o clima escolar como um todo, gerando tensões e distrações na sala de aula.
Estudos indicam que o TOD está frequentemente associado ao TDAH, com taxas de comorbidade que chegam a 40-50% dos casos (Greene et al., 2016). Essa combinação agrava as dificuldades escolares, exigindo uma abordagem interdisciplinar que envolva professores, psicólogos, neuropsicólogos e familiares. Estratégias baseadas na gestão de comportamentos e reforço positivo têm mostrado eficácia na melhoria do desempenho escolar e das relações interpessoais desses alunos (Patterson, 2020).
Dificuldades de aprendizagem e especificidades acadêmicas
As dificuldades específicas de aprendizagem, como dislexia, discalculia e disgrafia, afetam diretamente as habilidades acadêmicas centrais de leitura, escrita e matemática. A dislexia, por exemplo, é uma condição neurobiológica que compromete a decodificação fonológica, dificultando a leitura fluente e a compreensão de texto. Já a discalculia interfere na capacidade de entender conceitos numéricos e realizar cálculos básicos (Shaywitz et al., 2020).
Essas condições podem ser erroneamente interpretadas como falta de esforço ou inteligência, quando, na verdade, refletem diferenças específicas no funcionamento cerebral. Crianças com dificuldades de aprendizagem se beneficiam de intervenções pedagógicas específicas, como o ensino multisensorial e instruções individualizadas, além de tecnologias assistivas que facilitam o acesso ao conteúdo acadêmico (Fletcher et al., 2018).
Deficiência intelectual e atraso no desenvolvimento global
A deficiência intelectual, frequentemente referida como atraso mental, envolve limitações significativas no funcionamento intelectual e nos comportamentos adaptativos, que afetam a capacidade de aprender, socializar e realizar tarefas cotidianas de forma independente (Schalock et al., 2021). No contexto escolar, essas crianças enfrentam desafios significativos, exigindo currículos adaptados e suporte contínuo.
O desempenho acadêmico de alunos com deficiência intelectual está diretamente relacionado à qualidade das intervenções educacionais e terapêuticas recebidas. Programas educacionais baseados em habilidades práticas, socialização e treinamento vocacional são fundamentais para maximizar o potencial desses indivíduos. Além disso, a inclusão escolar, quando bem implementada, promove o desenvolvimento social e emocional, beneficiando tanto os alunos com deficiência quanto seus colegas típicos (Hehir et al., 2016).
Reflexos emocionais e sociais no desempenho escolar
Além dos desafios acadêmicos, crianças com esses diagnósticos frequentemente enfrentam dificuldades emocionais e sociais, como baixa autoestima, ansiedade e isolamento social. Essas questões, por sua vez, exacerbam as dificuldades escolares, criando um ciclo de frustração e insucesso. A interação entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais é crucial para compreender o impacto desses transtornos no desempenho escolar.
O suporte emocional e a criação de um ambiente escolar acolhedor são essenciais para reduzir o impacto negativo desses transtornos. Estratégias como grupos de habilidades sociais, programas de conscientização para colegas e professores, e intervenções psicoterapêuticas podem auxiliar no desenvolvimento de competências emocionais e sociais dessas crianças (Merrell & Gueldner, 2021).
Conclusão
Os reflexos dos transtornos como TDAH, TOD, dificuldades de aprendizagem e deficiência intelectual no desempenho escolar são multifacetados e exigem uma abordagem integrada. A colaboração entre família, escola e profissionais de saúde é essencial para promover o desenvolvimento acadêmico, emocional e social desses alunos. Por meio de estratégias personalizadas e inclusivas, é possível reduzir as barreiras ao aprendizado, garantindo que cada criança tenha a oportunidade de alcançar seu pleno potencial.
Bibliografia
American Psychiatric Association. (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed.
Barkley, R. A. (2013). Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: Um Manual para Diagnóstico e Tratamento. Porto Alegre: Artmed.
Benczik, E. B. P. (2010). TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: Guia para Pais e Educadores. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Fletcher, J. M., Lyon, G. R., Fuchs, L. S., & Barnes, M. A. (2016). Dificuldades de Aprendizagem: Da Identificação à Intervenção. Porto Alegre: Penso Editora.
Greene, R. W. (2020). O Cérebro da Criança que Desafia: Como Entender e Ajudar Crianças com Problemas de Comportamento. São Paulo: Manole.
Hehir, T., Schifter, L. A., Grindal, T., & Ng, M. (2016). Inclusão Escolar: Garantindo a Participação de Todos os Estudantes na Educação de Qualidade. Porto Alegre: Penso Editora.
Merrell, K. W., & Gueldner, B. A. (2021). Aprendizagem Socioemocional na Sala de Aula: Promovendo Saúde Mental e Sucesso Acadêmico. Porto Alegre: Artmed.
Schalock, R. L., Luckasson, R., & Tassé, M. J. (2021). Qualidade de Vida em Deficiências Intelectuais e Desenvolvimentais: Conceitos e Medidas. Porto Alegre: Penso Editora.
Shaywitz, S. E., & Shaywitz, B. A. (2020). Superando a Dislexia: Um Guia Completo Baseado em Evidências para Problemas de Leitura em Qualquer Nível. Rio de Janeiro: Sextante.
Ricardo Santana, Neuropsicólogo, CRP15 0180 (82)99988.3001, Maceió/AL
Deixe sua avaliação: https://maps.app.goo.gl/2pvZ6RxFGPSEx5wWA?g_st=ic
Conheça nosso site: https://psiricardosantana.com.br/

Comentários
Postar um comentário