Conceituação de caso
Em uma conceituação de caso (ou formulação de caso), as informações imprescindíveis são aquelas que permitem compreender quem é o paciente, qual é o problema, como ele se desenvolveu, o que o mantém e quais intervenções são mais indicadas. Em outras palavras, a conceituação deve transformar dados soltos em uma hipótese clínica integrada e funcional. 
Os elementos essenciais costumam ser os seguintes:
1. Identificação e dados sociodemográficos
Idade, sexo, escolaridade, profissão, estado civil, contexto familiar e social. Esses dados ajudam a contextualizar a queixa e o funcionamento global do paciente.
2. Queixa principal e motivo da procura
O que trouxe o paciente ao atendimento?
É fundamental registrar a queixa em linguagem próxima à do paciente, por exemplo:
“não consigo dormir”, “tenho crises de ansiedade”, “meu filho não consegue se concentrar”.
3. História do problema atual
Quando os sintomas começaram, como evoluíram, fatores desencadeantes, frequência, intensidade, duração e impacto funcional.
Aqui entram perguntas como:
• quando iniciou?
• houve evento precipitante?
• piora em determinadas situações?
• melhora com algo específico?
4. Sintomas e diagnóstico(s) hipóteses
Descrição clínica dos sintomas emocionais, cognitivos, comportamentais e fisiológicos, além das hipóteses diagnósticas (quando cabíveis).
Importante lembrar que a conceituação vai além do diagnóstico.
5. Fatores predisponentes
São as condições que aumentaram a vulnerabilidade ao problema, por exemplo:
• história familiar de transtornos mentais
• traumas precoces
• padrões de apego
• estilo parental
• características temperamentais
• fatores neuropsicológicos
6. Fatores precipitantes
Eventos que deflagraram o quadro atual:
• luto
• separação
• mudança de trabalho
• adoecimento
• fracasso acadêmico
• eventos traumáticos
7. Fatores perpetuadores (mantenedores)
Este é um dos pontos mais importantes.
O que faz o problema continuar?
Exemplos:
• esquiva e evitação
• reforçamento familiar
• pensamentos automáticos disfuncionais
• crenças centrais
• ganhos secundários
• padrões relacionais repetitivos
Na TCC, esta parte é central. 
8. Fatores protetivos e recursos
Forças do paciente:
• rede de apoio
• inteligência preservada
• motivação para tratamento
• boa capacidade reflexiva
• suporte familiar
• recursos financeiros e sociais
9. História de vida e desenvolvimento
Dados do desenvolvimento infantil, escolar, afetivo, profissional, familiar e médico.
Para crianças e adolescentes, essa parte é indispensável.
10. Funcionamento da personalidade e dinâmica psíquica
Especialmente em abordagens psicodinâmicas:
• mecanismos de defesa
• conflitos intrapsíquicos
• relações objetais
• padrões transferenciais
• funcionamento do ego
11. Objetivos terapêuticos
O que se pretende modificar?
• reduzir sintomas
• melhorar autonomia
• aumentar repertório social
• promover insight
• melhorar regulação emocional
12. Plano de intervenção
A conceituação precisa orientar a conduta clínica:
• psicoterapia
• psicoeducação
• encaminhamento psiquiátrico
• avaliação neuropsicológica
• orientação familiar
• intervenções escolares
Uma forma muito utilizada é o modelo dos 5 Ps:
• Problema atual
• Predisponentes
• Precipitantes
• Perpetuadores
• Protetivos 
Ricardo Santana, Neuropsicólogo, CRP15 0180, (82)99988-3001, Maceió/AL
#psicoterapia
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